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sábado, 6 de dezembro de 2014

AUTÊNTICAS por NATUREZA e pelas PESSOAS




Como escrever mais uma vez sobre o Natal 
sem repetir as banalidades do costume?
O Natal é o período da bondade, da falsa solidariedade, 
do consumismo, alegremente aceite por todos 
e que ninguém gosta de contestar.
Não posso aceitar, contesto mesmo.
Belos tempos da minha infância e juventude em que, 
mesmo sem neve, sem o típico postal de Natal todo branquinho 
com as renas a puxar o trenó, mas sim com muito calor (África)…
tanto calor humano…disso tenho saudades.
Hoje em dia apenas serve para fazer negócio 
e lavar as consciências.
Passamos trinta dias a falar mais do mesmo…
na rádio só se fala em crianças, pobreza e vamos ajudar…
na televisão são programas de solidariedade e mais séries 
sobre histórias de Natal que nos entram pela casa …
a sério que já cansa!
Fazem-se promessas e passa-se o resto do ano 
a encontrar justificações para não cumprir as mesmas
Não critico o Natal, o que critico é aquilo em que 
o Natal se tornou – ou seja, como as pessoas se aproveitam 
e tornam este período numa coisa feia e falsa, banal.
Paz, fraternidade, amor, solidariedade são palavras inflacionadas 
nesta altura do ano. Não só…a banalização estende-se 
aos gestos, os SMS enviados em cadeia… 
todos iguais, nada personalizado.
Os presentes… comprados aos pares…qualquer coisa serve! 
Parece mal não dar, mas para isso, dá-se a qualquer um. 
Ao darmos a todos deixamos de distinguir uns dos outros 
e com isso perde-se a mensagem particular 
que queríamos dar a alguém especial para nós.
Tudo muito artificial para o meu gosto!
...
Não faço posts alusivos ao Natal, 
não encho a página do Facebook com votos de Natal, 
como já vejo muitas pessoas fazerem…
as mesmas pessoas que não são capazes de ser “amigas” 
como apregoam, como escrevem com a maior das naturalidades…
Não para me enganarem, pois sei bem com quem posso contar, 
mas para se enganarem a elas mesmas 
dizendo coisas que “não sentem nem praticam”… 
Hipocrisia a 1000%. Estou farta!
...
Para mim “solidariedade” faz-se o ano inteiro.
Ajudar os outros faz parte das minhas acções 
sempre que isso é necessário e não 
num período de 15 dias chamada época natalícia.
...
Como aconteceu agora em Bragança, entrei na cidade 
nem sei como nem por onde e queria ir 
para a estrada de Vinhais…sem GPS, anoitecia rapidamente 
e eu com pânico de ficar perdida…toca a perguntar; 
a 1ª pessoa, um homem, despachou-me a grande velocidade… 
seria fácil desistir pois podia pensar de forma negativa 
e dizer para mim mesma: não vale a pena tentar novamente. 
Nunca fui de baixar os braços, vi duas senhoras 
quase a atravessar a rua, encosto o carro e pergunto; 
a Sra começa a explicar, falou e falou, mas quando viu que era mesmo 
complicado só por palavras pois as mesmas já lhe faltavam, disse: 
Olhe, espere um pouco, venha sempre atrás de mim, 
vou buscar a minha BM – passado uns minutos 
vejo uma carrinha BMW encostar e dizer: siga-me! 
E, assim atravessei toda a cidade de Bragança 
atrás de alguém que me fez um enorme favor. 
Ruas e avenidas e os dois carros seguiam, não me perguntem 
por onde passei, só me lembro da traseira da BM 
que eu não podia perder de vista de forma alguma. 
Ficar-lhe-ei eternamente grata.
Alguém que nem me conhecia, 
mas fez aquilo que outros apregoam mas não fazem. 
Isso sim, são os verdadeiros sentimentos. Eu faria o mesmo.
... 
Fugi uns dias da vida rotineira e para onde fui?
Escolhi o interior, as aldeias de montanha, porquê?
ALDEIAS DE MONTANHA – autênticas por natureza e pelas pessoas!