quinta-feira, 2 de abril de 2015

O CONVENTO - MANOEL DE OLIVEIRA


HOJE os "Meus Pensamentos" só podem ir para MANOEL DE OLIVEIRA

PARTIU...aos 106 anos


O Convento é um filme luso-francês, 
uma longa-metragem de ficção realizada por Manoel de Oliveira no ano de 1995.
Festival de Cannes  
Ano            Categoria          Resultado
1995       Palma de Ouro       Nomeado
Sitges Film Festival 
Ano                                                  Categoria                                                Resultado
1995    Prize of the Catalan Screenwriter's Critic and Writer's Association         Vencedor
SINOPSE
O professor Michael Padovic é um investigador norte-americano que está a trabalhar 
numa tese que se destina a provar que Shakespeare tinha ascendência espanhola 
e não britânica. Mas faltam-lhe alguns documentos essenciais, os quais julga estarem 
nos arquivos do antiquíssimo Convento da Arrábida, em Portugal.
Por esta razão, ele e a sua mulher, Hélène, viajam de Paris até à Arrábida, 
onde se instalam. O seu anfitrião é o guardião do convento, uma estranha 
personagem que dá pelo nome de Baltar.
Há qualquer coisa de misterioso em Hélène que cativa Baltar. 
Para distraír a atenção do marido dela, sugere-lhe que ele contrate como 
sua assistente, Piedade, a nova arquivista do convento.
Hélène descobre que o marido a rejeita em favor do trabalho e o facto 
de Piedade ser jovem e bonita aumenta ainda mais a tensão, servindo ao mesmo
 tempo os propósitos diabólicos de Baltar e a subtil manipulação de Hélène. 
A situação torna-se extremamente bizarra e culmina de forma inesperada.



FICHA TÉCNICA
Realização - Manoel de Oliveira
Interpretação - Catherine Deneuve - Duarte de Almeida 
- John Malkovich - Leonor Silveira - Luís Miguel Cintra

Sobre o filme, diz John Malkovich: 
Não estava à espera que fosse tão bonito esteticamente, 
é mais estranho e mais encantatório do que parecia na rodagem. 
Mas, honestamente, não fiquei muito surpreendido, 
porque sabia que se ia parecer muito com um sonho.
Como é que sentiu as filmagens? 
Ia para lá de manhã, ficava por ali até à tarde, 
o Manoel de Oliveira vinha ter comigo e dizia "coloque-se aqui, 
agora ande daqui até ali, pelo corredor fora".
E o que achou do Manoel de Oliveira? 
O Manoel de Oliveira é incrível. 
Apesar dos 87 anos que tem. Sempre presente, vê e ouve tudo, 
anda sempre para ali às voltas, constantemente para cima 
e para baixo naquelas montanhas. Chega a ser cansativo! 
Um dia saltou para um muro altíssimo e lembro-me que um 
dos membros da equipa perguntou se eu gostava de ser assim 
aos 87 anos. Eu gostaria de ter sido assim aos 37.





Foi este o único filme que vi, de Manoel de Oliveira! 

Concordo em absoluto: em casa falta-me espaço, 

na vida falta-me tempo...

Adeus! 

Descansa em Paz!

6 comentários:

  1. Agustina Bessa-Luís, a grande escritora, que tantas vezes Manoel de Oliveira adaptou para cinema ("Francisca", Party" ou "O Convento", por exemplo), escreveu um dia:

    "Fim – o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa".

    Ao longo dos anos o cineasta libertou-se do fim previsto para qualquer ser humano e criou uma vida sustentada em filmes que sobreviverão ao tempo.

    Antes de falecer tinha, é claro, muitos projectos para concretizar.
    Ainda recentemente o seu 106º aniversário serviu para mostrar o seu último trabalho, a curta-metragem "O Velho do Restelo".
    Mas a sua convivência com Portugal nunca foi fácil:
    mais facilmente foi reconhecido lá fora do que aqui.
    Os seus filmes eram acusados de demasiado devotos da calma
    que não vendia nestes tempos
    em que as cenas têm de se suceder a um ritmo que tire o fôlego a todos os espectadores.

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  2. Só que, mostrando a solidez das suas convicções, ele continuou a filmar.
    Com orçamentos sonantes.
    Com bons actores estrangeiros.

    O seu filme póstumo, "Visita ou Memória e Confissões", filmado em 1982,
    e que é muito autobiográfico, poderá só agora ser visto, por vontade do realizador.

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  3. CONFESSO publicamente,
    que o motivo principal de eu ter ido ver este filme,
    foi o facto de ter sido gravado na Serra da Arrábida, que amo de paixão!

    Alguém perguntou a John Malkovich:
    Influenciou-o de alguma maneira aquele local de filmagens tão particular, um convento perdido e abandonado na serra da Arrábida?

    resposta:
    Gostei imenso do sítio, mas a verdade é que durante a rodagem de um filme há sempre gente o tempo todo e por isso não há grandes hipóteses para se sentir a magia e o mistério do local.
    Provavelmente, se tivesse dormido lá, sozinho, teria uma percepção mais rigorosa.
    Mas parece-me que a vida dos frades que lá moravam deve ter sido excelente.
    Ter umas conversas com Deus, fazer um bocado de jardinagem, rezar e fustigar-se de vez em quando...
    O que pode haver de melhor, especialmente se for inglês?
    Sobretudo morando naquelas celas extraordinárias, praticamente vazias e totalmente austeras. Muito modernas!
    Presenciando aquela simplicidade, é difícil não pensar que andamos a cometer imensos erros na nossa maneira de viver hoje em dia.

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  4. Eu já tinha feito um post sobre este filme, num outro blog:

    http://deabrilemdiante.blogspot.pt/2008/12/manuel-de-oliveira-100-anos.html

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  5. Outro dos grandes filmes de Manoel de Oliveira e talvez um dos mais "consistentes". Bem escolhido para o homenagear :-)

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  6. Uma longa vida, uma longa carreira um grande realizador e homem. Uma personagem que nunca se perderá.
    Quanto ao filme não vi... não tenho opinião formada.
    Quanto sua belíssima frase, a qual tu terminas o post. Não poderia estar mais de acordo., Em especial a segunda parte.. Na vida falta-me tempo...
    beijinho

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