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terça-feira, 29 de maio de 2012

PERMANÊNCIA



PERMANÊNCIA


       Não peçam aos poetas um caminho.

O poeta

         não sabe nada de geografia celestial.
        
Anda aos encontrões da realidade

         sem acertar o tempo com o espaço.
        
Os relógios e as fronteiras não tem

         tradução na sua língua.

Falta-lhe

         o amor da convenção em que nas outras

         as palavras fingem de certezas.

         O poeta lê apenas os sinais

         da terra.

Seus passos cobrem
         apenas distâncias de amor e
         de presença. Sabe
         apenas inúteis palavras de consolo
         e mágoa pelo inútil. Conhece
         apenas do tempo o já perdido; do amor
         a câmara escura sem revelações; do espaço
         o silêncio de um vôo pairando
         em toda a parte.
         Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
         — morto redivivo.


         Tudo é simples para quem
         adia sempre o momento
         de olhar de frente a ameaça
         de quanto não tem resposta.
         Tudo é nada para quem
         descreu de si e do mundo
         e de olhos cegos vai dizendo:
         Não há o que não entendo.