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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

NÃO GASTES A TUA VIDA COM QUEM NÃO MERECE...


Continuando...

Escrever liberta
Liberta a alma dos momentos menos felizes
Só quem escreve, muito ou pouco, bem ou mal, 
pode entender esta libertação.


A mãe da Tânia deve ter um trauma desde que nasceu…quer dizer, 
quem deveria ter ciúmes devia ser eu, porque geralmente o filho mais velho, 
quando nasce um bebé perde as atenções todas para si.
Neste caso…não sei em que idade terá acontecido, talvez aos 8 ou 9 anos 
quando eu já tinha quase 11 anos e dei um pulo, 
fiquei com um corpo de mulherzinha…e ela continuava uma franganita, 
miudinha que não se desenvolvia…e aí deve ter tido início o tal trauma 
que se foi estendendo ao longo da vida até aos dias de hoje…
Ganhou raiva, ódio, juro que nem sei que palavras usar, pois…
na realidade é visível o que ela sente por mim… 
Ficou mal resolvida, nunca arranjou “Ajuda” para ultrapassar o que sentia 
por mim e foi acumulando de tal forma que, nos dias de hoje, nem me pode ver…
Mas, se a coisa ficasse só por aí…não me ver…
o problema é que implica comigo sempre, 
fala para mim com modos autoritário e de arrogante, enfim… 
Todos são melhores que eu, todos servem para tudo menos eu, 
aos olhos dela devo ser um fantasma terrível 
que ela quer eliminar a qualquer custo. 
Nunca confiou em mim e… tem inveja, ciúmes (chamem-lhe o que quiserem) 
das minhas atitudes, das minhas acções. 

Para a coisa ficar melhor ainda, desde que a Tânia nasceu, 
como se fosse um troféu, infernizou a minha vida…

colocando-me à parte e, sabendo ela o meu sonho e desejo 
de ter uma “menina” tudo fez p/afastar a menina de mim; 

quando decidiu baptizar a Tânia, tinha aqui uma Madrinha à altura 
(o meu afilhado que o diga…) e resolveu, 
só para ser má e mostrar que ela é que “manda”, 
escolher como padrinhos da Tânia, 
uns estranhos que eram vizinhos no mesmo prédio. 

Ela sabia que era um tiro no meu peito, 
mas isso deu-lhe um gostinho especial, se deu...!


Só que a Tânia foi crescendo e começou a ver as coisas 
com os seus olhos de menina carente – a mãe não entendia que 
quanto mais a afastava mais a menina queria estar comigo – e, aos poucos 
eu era a confidente da Tânia, a única pessoa que a apoiava e a escutava, 
era linda a química que aconteceu entre nós. 

Minha Princesa da Tia, escolhi esta flor para TI, meu Amor!


Nada acontece por acaso – segundo se diz; 
e, não foi por acaso que a Tânia faleceu no momento em que estávamos 
as duas juntas e sozinhas… até aí houve a “mão de Deus”. 

Isto foi um grande dilema para ela e outros familiares, chegando ao ponto 
de duvidar que isso tinha acontecido e ter perguntado aos profissionais de saúde, 
qual tinha sido a hora precisa da morte da Tânia, a ver se batia certo, enfim…


Depois da Tânia falecer, havia que escolher os seus pertences, entre livros 
que a Tânia devorava e outras coisinhas dela…pois, acreditem ou não, 
a mãe da Tânia deu a todos tudo o que lhe pediram e ela entendeu que devia dar, 
só a mim – tia da Tânia – nada deu. 

Pedi-lhe uma coisa ou outra e ela, feliz por me contrariar e sabendo 
que me fazia sofrer deu sempre nãos – isso dá-lhe um gozo enorme. 

Até à própria nora, que se odeiam e não se podem ver, ela fez questão de 
“me dizer” que ia dar livros e outras coisas da Tânia 
à sua nora/cunhada da Tânia, pessoa que a Tânia não gostava. 

Como podem ver ela nunca pensou no que a Tânia gostaria de ter feito 
com os seus pertences, ela – dona e senhora do seu nariz 
(é assim que ela pretende viver e comandar a vida dos outros em seu redor)
faz só o que quer e lhe apetece…egoísmo puro. 

A minha consolação é que…todas essas pessoas a quem ela dá valor 
e põe acima de mim – aos poucos vão-se afastando e ela está só. 

Foi o que aconteceu nos 3 ou 4 meses que antecederam o trágico fim da Tânia, 
aproximou-se de uma senhora que jamais tinha visto nem era dos seus conhecimentos, 
mas parecia ser da família, aos olhos da mãe da Tânia, 
ela encontrou ali a pessoa com quem podia rivalizar comigo 
e deu-lhe toda a atenção do mundo…

sabendo eu disso, e sabendo também 
que nada do que eu lhe peça ela acede, no dia do funeral da Tânia, 
cheguei-me a essa pessoa e disse-lhe a vontade que tinha de cantar a canção 
“Adivinha O Quanto Gosto De Ti - André Sardet”


Lógico que essa pessoa percebeu o jogo sujo da mãe da Tânia para comigo 
e fazia o seu “papel de importante” muito acima de mim…
e, pedi-lhe ajuda, para ela ir falar com a mãe da Tânia 
e dizer-lhe o que eu gostaria de fazer.

Impensável e muito triste, duas irmãs não se falarem, não se entenderem 
e ter que haver um intermediário entre elas…

pois o que aconteceu de verdade não sei nem nunca saberei… 
uma coisa sei, a tal pessoa veio, cheia de gozo, no olhar e na voz, 
dizer-me que a mãe da Tânia não acedeu ao meu pedido.


Entrego nas mãos justas de Deus o assunto – se foi mesmo verdade 
que Deus faça justiça perante a mãe da Tânia, se foi a outra que nem sequer falou 
mas fingiu que sim, sabendo o amor que eu tenho pela Tânia 
e jogando sujo numa hora tão delicada, que se faça justiça também.
Eu estou de fora! 
Só quero que a Tânia, agora onde está, saiba distinguir e perceber 
quem sempre a amou de verdade e que veja as injustiças que foram feitas. 
Por isso é que fiquei sempre com essa mágoa; 
no entanto vou sabendo nos tempos de agora, as manifestações que são feitas 
junto de quem já morreu, com cânticos 
e outras formas de homenagear quem já partiu…
só posso pensar: estou muito “à frente”, 
isto aconteceu em 2009 e eu já tinha esse gosto, 
estamos em 2015 e está a acontecer!

Também Deus – o Todo Poderoso – sabe as minhas sinceras e boas intenções!
O que os outros pensam não me interessa – só lamento a maldade das pessoas.