UM BRINDE A MIM
que passei por tanta m*rda, e continuo aqui de pé!
A 7 de Setembro de 1974,
a 5 dias de dar à luz o meu filho,
há 41 anos,
fui ao edifício onde a minha médica obstetra dava consultas
e, um negro de metralhadora em punho
encostou o cano à minha enorme barriga
e eu fiquei ali parada,
petrificada da cabeça aos pés...
Porque, neste dia 7 de Setembro de 1974
foi assinado
na capital da Zâmbia,
entre o Estado Português e a Frente de
Libertação de Moçambique,
o denominado Acordo de Lusaka.
Neste acordo o Estado
Português não só reconheceu formalmente
o ‘direito do povo de Moçambique à
independência’ como acordou
a data e os passos da transferência para a FRELIMO
da soberania que detinha sobre o território de Moçambique.
Na véspera, 6 de Setembro, Lourenço Marques despovoara-se
por causa dos
comícios organizados pela Frelimo.
Via-se cada vez mais
claramente que o poder saía da boca
das espingardas, uma velha lição sempre
renovada.
Moçambique, 7 de
Setembro de 1974: os dias do fim
Após o
7 de Setembro, devo apenas mencionar que morreram nesses dias
mais civis do que
em todos os 10 anos de guerra anteriores.
Criou-se um regime de terror, forças
do nosso próprio exército
(sobretudo oriundas da Metrópole)
exaltaram os ânimos
dos pretos contra os brancos
“fascistas” e “colonialistas”.
“7 de Setembro de 1974:
O último grito de portugalidade em Moçambique”
Houve uma debandada
geral da população, e era a chamada lei 24/20:
24 horas para sair, carregando
apenas 20 kg.
Os jornais da época estão cheios de fotografias e relatos do que
foi
a saída dos Portugueses. Mário Soares sugeriu até
“atirar os brancos aos
tubarões”!
Soldados negros de incorporação local, sobretudo das forças
chamadas
especiais são perseguidos e mortos tanto em Moçambique
como em Angola e na
Guiné.
Portugal não soube proteger os Portugueses,
abandonando-os à sua sorte.
Este livro deve ser
visto como uma radiografia de um momento
histórico, com evidentes componentes
emocionais por parte da autora,
mas sempre com uma visão de Portugalidade que é
inegável,
e, tanto quanto a memória lhe permitiu,
um relato fiel do que
realmente aconteceu em Moçambique
entre 7 e 11 de Setembro de 1974.
...
E, 5 dias depois nascia o meu filho, que veio para Portugal
com 2 anos e 3 meses, e em breve completa 41 anos.



















