Chegaram em barcos e
aviões num movimento que durou tempo demais.
Ficaram conhecidos como os
"retornados".
Santa Paciência, não admito que me chamem "retornada",
porque EU não retornei de lado nenhum,
EU NASCI LÁ, eu era sim REFUGIADA
ERA ou SOU...
fosse como fosse,
por acaso a VILA de PENELA
arranjou uma casa para eu ficar com um filho de 2 anos?
arranjou emprego para mim e marido?
arranjou uma escolinha para o meu filho?
que eu saiba, NÃO!
Então, sendo nós "Portugueses" nada fez.
Mas agora foi das primeiras localidades a arranjar apoio
para 3 ou 4 famílias vindas da Síria ou sei lá de onde...
Não é revoltante?
É, SIM...mas apenas para mim e outros como eu
que "sentimos na pele" a rejeição quando cá chegamos.
Meio milhão de "portugueses" foram integrados na sociedade portuguesa
durante o período que foi do Verão de
1974 ao Verão de 1975,
fruto da descolonização imposta pelo fim da ditadura do
Estado Novo.
Ou seja, também durante todo o ano de 1976, foi quando vim...
Muitos mais foram chegando, mês após mês.
Foi um movimento de integração populacional único que trouxe uma
massa humana qualificada que contribuiu de forma decisiva para a
construção do
Estado democrático.
Para a história ficaram conhecidos como os
"retornados".
Na realidade, são a última geração de portugueses que
viveram
e cresceram na África colonial portuguesa.
Onde éramos felizes, tínhamos trabalho,
casas para viver e muito mais, mas...quiseram que assim fosse.
É inaceitável ler o que apurei na minha pesquisa:
"É um dos momentos
mais extraordinários da história portuguesa
do século passado, a capacidade de
integrar 500 mil pessoas que chegam
em poucos meses", defende o empresário
Alexandre Relvas,
nascido em Luanda,
para quem o movimento de integração dos
retornados
"correu tão bem que não é suficientemente valorizado,
a
sociedade portuguesa não valoriza essa capacidade enorme que teve".
Também
o sociólogo Rui Pena Pires, nascido no Huambo
(antiga Nova Lisboa), e autor da
única grande investigação sobre o tema
(Migrações e Integração. Teoria e
Aplicações à Sociedade Portuguesa,
Celta, 2003),
sublinha que houve uma
"boa integração", uma vez que
"não há marcas que se
percebam".
...
É inacreditável...afirmar que NÃO HÁ MARCAS QUE SE PERCEBAM
Ah, pois... quantos milhares de pessoas que vieram dessa forma,
andam ainda hoje em psicólogos e em tratamentos em médicos,
quase 40 anos depois disso ter acontecido?
MARCAS QUE SE PERCEBAM...
é só ir fazer um estudo a consultórios médicos
e saber, quantos ainda andam em tratamento e quantos se suicidaram
e quantos acabaram por morrer com AVC's por não se adaptarem
e não aceitarem uma nova vida, longe de tudo o que os fazia felizes.
Passo a citar o que pesquisei:
O sucesso de integração
é identificado por Alexandre Relvas com a
"extraordinária
generosidade" da sociedade portuguesa e com o
papel igualmente
"extraordinário" que o Estado então desempenhou.
Mas também a
capacidade de iniciativa e de luta do conjunto
de portugueses que regressaram e
que trouxeram o conhecimento
e a mais-valia de serem os últimos colonos
portugueses em África.
...
Ah sim..."a
capacidade de iniciativa e de luta do conjunto de
portugueses que regressaram e
que trouxeram o conhecimento
e a mais-valia...
e, de que adiantou todo o meu conhecimento e experiência profissional?
Era bancária e nunca mais fui admitida na banca!!!
...
Continuando as minhas pesquisas encontrei:
Não
questionando a justeza da descolonização, o empresário de
espectáculo e de
comunicação social Luís Montez,
nascido em Luanda,
sustenta que a
descolonização e o regresso dos portugueses
à metrópole foi um processo
"duro e não foi muito justo".
...
A minha questão é:
Alguém tem dúvidas sobre esta afirmação?
























