Continuando...
Escrever liberta
Liberta a alma dos
momentos menos felizes
Só quem escreve, muito
ou pouco, bem ou mal,
pode entender esta libertação.
A mãe da Tânia deve ter
um trauma desde que nasceu…quer dizer,
quem deveria ter ciúmes devia ser eu,
porque geralmente o filho mais velho,
quando nasce um bebé perde as atenções
todas para si.
Neste caso…não sei em
que idade terá acontecido, talvez aos 8 ou 9 anos
quando eu já tinha quase 11
anos e dei um pulo,
fiquei com um corpo de mulherzinha…e ela continuava uma
franganita,
miudinha que não se desenvolvia…e aí deve ter tido início o tal
trauma
que se foi estendendo ao longo da vida até aos dias de hoje…
Ganhou raiva, ódio,
juro que nem sei que palavras usar, pois…
na realidade é visível o que ela sente
por mim…
Ficou mal resolvida, nunca arranjou “Ajuda” para ultrapassar o que
sentia
por mim e foi acumulando de tal forma que, nos dias de hoje, nem me pode
ver…
Mas, se a coisa ficasse só por aí…não me ver…
o problema é que implica
comigo sempre,
fala para mim com modos autoritário e de arrogante, enfim…
Todos
são melhores que eu, todos servem para tudo menos eu,
aos olhos dela devo ser
um fantasma terrível
que ela quer eliminar a qualquer custo.
Nunca confiou em mim e…
tem inveja, ciúmes (chamem-lhe o que quiserem)
das minhas atitudes, das minhas
acções.
Para a coisa ficar melhor ainda, desde que a Tânia nasceu,
como se
fosse um troféu, infernizou a minha vida…
colocando-me à parte e, sabendo ela o
meu sonho e desejo
de ter uma “menina” tudo fez p/afastar a menina de mim;
quando decidiu baptizar a Tânia, tinha aqui uma Madrinha à altura
(o meu
afilhado que o diga…) e resolveu,
só para ser má e mostrar que ela é que “manda”,
escolher como padrinhos da Tânia,
uns estranhos que eram vizinhos no mesmo
prédio.
Ela sabia que era um tiro no meu peito,
mas isso deu-lhe um gostinho
especial, se deu...!
Só que a Tânia foi crescendo e começou a ver as coisas
com os seus olhos de
menina carente – a mãe não entendia que
quanto mais a afastava mais a menina
queria estar comigo – e, aos poucos
eu era a confidente da Tânia, a única
pessoa que a apoiava e a escutava,
era linda a química que aconteceu entre nós.
Minha Princesa da Tia, escolhi esta flor para TI, meu Amor!
Nada acontece por acaso
– segundo se diz;
e, não foi por acaso que a Tânia faleceu no momento em que estávamos
as duas juntas e sozinhas… até aí houve a “mão de Deus”.
Isto foi um grande
dilema para ela e outros familiares, chegando ao ponto
de duvidar que isso
tinha acontecido e ter perguntado aos profissionais de saúde,
qual tinha sido a
hora precisa da morte da Tânia, a ver se batia certo, enfim…
Depois da Tânia falecer, havia que escolher os seus pertences, entre livros
que
a Tânia devorava e outras coisinhas dela…pois, acreditem ou não,
a mãe da Tânia
deu a todos tudo o que lhe pediram e ela entendeu que devia dar,
só a mim – tia
da Tânia – nada deu.
Pedi-lhe uma coisa ou outra e ela, feliz por me contrariar
e sabendo
que me fazia sofrer deu sempre nãos – isso dá-lhe um gozo enorme.
Até
à própria nora, que se odeiam e não se podem ver, ela fez questão de
“me dizer”
que ia dar livros e outras coisas da Tânia
à sua nora/cunhada da Tânia, pessoa
que a Tânia não gostava.
Como podem ver ela nunca pensou no que a Tânia
gostaria de ter feito
com os seus pertences, ela – dona e senhora do seu nariz
(é assim que ela pretende viver e comandar a vida dos outros em seu redor)
faz só o que quer e lhe apetece…egoísmo puro.
A minha consolação é
que…todas essas pessoas a quem ela dá valor
e põe acima de mim – aos poucos
vão-se afastando e ela está só.
Foi o que aconteceu nos 3 ou 4 meses que
antecederam o trágico fim da Tânia,
aproximou-se de uma senhora que jamais
tinha visto nem era dos seus conhecimentos,
mas parecia ser da família, aos
olhos da mãe da Tânia,
ela encontrou ali a pessoa com quem podia rivalizar
comigo
e deu-lhe toda a atenção do mundo…
sabendo eu disso, e sabendo também
que
nada do que eu lhe peça ela acede, no dia do funeral da Tânia,
cheguei-me a
essa pessoa e disse-lhe a vontade que tinha de cantar a canção
“Adivinha O
Quanto Gosto De Ti - André Sardet”
Lógico que essa pessoa percebeu o jogo sujo da mãe da Tânia para comigo
e fazia
o seu “papel de importante” muito acima de mim…
e, pedi-lhe ajuda, para ela ir falar
com a mãe da Tânia
e dizer-lhe o que eu gostaria de fazer.
Impensável e muito triste, duas irmãs não se falarem, não se entenderem
e ter
que haver um intermediário entre elas…
pois o que aconteceu de verdade não sei
nem nunca saberei…
uma coisa sei, a tal pessoa veio, cheia de gozo, no olhar e
na voz,
dizer-me que a mãe da Tânia não acedeu ao meu pedido.
Entrego nas mãos justas
de Deus o assunto – se foi mesmo verdade
que Deus faça justiça perante a mãe da
Tânia, se foi a outra que nem sequer falou
mas fingiu que sim, sabendo o amor
que eu tenho pela Tânia
e jogando sujo numa hora tão delicada, que se faça
justiça também.
Eu estou de fora!
Só
quero que a Tânia, agora onde está, saiba distinguir e perceber
quem sempre a
amou de verdade e que veja as injustiças que foram feitas.
Por isso é que
fiquei sempre com essa mágoa;
no entanto vou sabendo nos tempos de agora, as
manifestações que são feitas
junto de quem já morreu, com cânticos
e outras
formas de homenagear quem já partiu…
só posso pensar: estou
muito “à frente”,
isto aconteceu em 2009 e eu já tinha esse gosto,
estamos em
2015 e está a acontecer!
Também Deus – o Todo
Poderoso – sabe as minhas sinceras e boas intenções!
O que os outros pensam
não me interessa – só lamento a maldade das pessoas.







































