Como
escrever mais uma vez sobre o Natal
sem repetir as banalidades do costume?
O
Natal é o período da bondade, da falsa solidariedade,
do consumismo, alegremente
aceite por todos
e que ninguém gosta de contestar.
Não
posso aceitar, contesto mesmo.
Belos
tempos da minha infância e juventude em que,
mesmo sem neve, sem o típico
postal de Natal todo branquinho
com as renas a puxar o trenó, mas sim com muito
calor (África)…
tanto calor humano…disso tenho saudades.
Hoje
em dia apenas serve para fazer negócio
e lavar as consciências.
Passamos
trinta dias a falar mais do mesmo…
na rádio só se fala em crianças, pobreza e
vamos ajudar…
na televisão são programas de solidariedade e mais séries
sobre
histórias de Natal que nos entram pela casa …
a sério que já cansa!
Fazem-se
promessas e passa-se o resto do ano
a encontrar justificações para não cumprir
as mesmas
Não
critico o Natal, o que critico é aquilo em que
o Natal se tornou – ou seja, como
as pessoas se aproveitam
e tornam este período numa coisa feia e falsa,
banal.
Paz,
fraternidade, amor, solidariedade são palavras inflacionadas
nesta altura do
ano. Não só…a banalização estende-se
aos gestos, os SMS enviados em cadeia…
todos
iguais, nada personalizado.
Os
presentes… comprados aos pares…qualquer coisa serve!
Parece mal não dar, mas
para isso, dá-se a qualquer um.
Ao darmos a todos deixamos de distinguir uns
dos outros
e com isso perde-se a mensagem particular
que queríamos dar a alguém
especial para nós.
Tudo
muito artificial para o meu gosto!
...
Não
faço posts alusivos ao Natal,
não encho a página do Facebook com votos de
Natal,
como já vejo muitas pessoas fazerem…
as mesmas pessoas que não são
capazes de ser “amigas”
como apregoam, como escrevem com a maior das
naturalidades…
Não para me enganarem, pois sei bem com quem posso contar,
mas
para se enganarem a elas mesmas
dizendo coisas que “não sentem nem praticam”…
Hipocrisia a 1000%. Estou farta!
...
Para
mim “solidariedade” faz-se o ano inteiro.
Ajudar
os outros faz parte das minhas acções
sempre que isso é necessário e não
num
período de 15 dias chamada época natalícia.
...
Como
aconteceu agora em Bragança, entrei na cidade
nem sei como nem por onde e
queria ir
para a estrada de Vinhais…sem GPS, anoitecia rapidamente
e eu com
pânico de ficar perdida…toca a perguntar;
a 1ª pessoa, um homem, despachou-me a
grande velocidade…
seria fácil desistir pois podia pensar de forma negativa
e
dizer para mim mesma: não vale a pena tentar novamente.
Nunca fui de baixar os
braços, vi duas senhoras
quase a atravessar a rua, encosto o carro e pergunto;
a Sra começa a explicar, falou e falou, mas quando viu que era mesmo
complicado
só por palavras pois as mesmas já lhe faltavam, disse:
Olhe, espere um pouco,
venha sempre atrás de mim,
vou buscar a minha BM – passado uns minutos
vejo uma
carrinha BMW encostar e dizer: siga-me!
E, assim atravessei toda a cidade de
Bragança
atrás de alguém que me fez um enorme favor.
Ruas e avenidas e os dois
carros seguiam, não me perguntem
por onde passei, só me lembro da traseira da
BM
que eu não podia perder de vista de forma alguma.
Ficar-lhe-ei eternamente
grata.
Alguém
que nem me conhecia,
mas fez aquilo que outros apregoam mas não fazem.
Isso
sim, são os verdadeiros sentimentos. Eu faria o mesmo.
...
Fugi
uns dias da vida rotineira e para onde fui?
Escolhi
o interior, as aldeias de montanha, porquê?
ALDEIAS
DE MONTANHA – autênticas por natureza e pelas pessoas!













































