sábado, 16 de fevereiro de 2013

AMENDOEIRAS (EM FLOR)



FEVEREIRO

Todos os anos venho fazendo planos de no mês de Fevereiro 

ir dar um passeio para ver as 

AMENDOEIRAS EM FLOR 

este ano também planeei, só que, por outros motivos já não vou...

a Esperança não morre e, mais um ano vou esperar, 

para poder realmente ir onde isso acontece, 

seja no norte ou sul de Portugal. 

Só que, pensando nisso lembrei-me desta foto que captei, 

na ALDEIA DE ALTE, no Algarve, 

em homenagem ao advogado, POETA e dramaturgo 

FRANCISCO XAVIER CÂNDIDO GUERREIRO.



Amendoeiras
Em Fevereiro, quando lá de cima
Deus, com a tinta de luar, escreve
Seus lindos versos algarvios, rima
A flor das amendoeiras com a neve…

Neve em flor! Sonho! Alvura! Quem descreve
O noivado irreal que se aproxima,
Pão branco, tão diáfano, tão leve,
Que nem talvez na música se exprima?

- Meninas da primeira comunhão,
Ascéticas, descendo da montanha
À beira do caminho em procissão,

Em vias-lácteas de perfume brando,
Oiço-vos bem a sinfonia estranha,
- Porque, amendoeiras, vós estais cantando…
Cândido Guerreiro

Portugália Editora, Lisboa, 1943


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A MINHA VIDA É UM BARCO ABANDONADO





A MINHA VIDA É UM BARCO ABANDONADO


A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?

Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.

Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.

Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'



segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS




Natal é época de...


deixo ao vosso critério a continuação da frase.
...
Porque do Natal eu só gosto de:
a inocência das crianças
a alegria dos seus olhinhos
a lealdade dos seus corações.
Para mim o Natal pouco ou nada me diz.
Perdi o brilho no olhar
Perdi o calor do coração
Perdi a alegria do reencontro
Porque nessa noite, já não tenho presente fisicamente
algumas pessoas muito queridas para mim:
Meus Pais
meus Tios António e Albertina
meus Tios Zézinho e Adelaide
que faziam parte dos meus natais de infância
e, mais recentemente
a minha sobrinha Tânia
que partiu muito cedo deste mundo.
...
Para alguns Natal é:
Natal é planear uma noite diferente, um instante iluminado. 
Natal… é ansiar por instantes de alegria e de conforto, 
na presença escolhida a dedo de pessoas que fazem parte das nossas vidas. 
Presentes e mais presentes
(postal feito por mim, adaptei uma foto minha)

domingo, 9 de dezembro de 2012

COMO PASSAREI SEM PONTE






Mote

Vai o rio de monte a monte,
Como passarei sem ponte?


Voltas

É o vau mui arriscado,
Só nele é certo o perigo;
O tempo como inimigo
Tem-me o caminho tomado.
Num monte está meu cuidado,
E eu, posto aqui noutro monte,
Como passarei sem ponte?

Tudo quanto a vista alcança
Coberto de males vejo:
D'aquém fica meu desejo
E d'além minha esperança.
Esta, contínua, me cansa
Porque está sempre defronte:
Como passarei sem ponte?
 
(Francisco Rodrigues Lobo)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ILUSÃO PERDIDA - PABLO NERUDA


 
Ilusão Perdida

Florida ilusão que em mim deixaste
a lentidão duma inquietude
vibrando em meu sentir tu juntaste
todos os sonhos da minha juventude.
 
Depois dum amargor tu afastaste-te,
e a princípio não percebi. Tu partiras
tal como chegaste uma tarde
para alentar meu coração mergulhado

na profundidade dum desencanto.
Depois perfumaste-te com meu pranto,
fiz-te doçura do meu coração,

agora tens aridez de nó,
um novo desencanto, árvore nua
que amanhã se tornará germinação.

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"SOLITUDE" - a poem by ELLA WILCOX




SOLITUDE
Laugh, and the world laughs with you;
Weep, and you weep alone.
For the sad old earth must borrow it's mirth,
But has trouble enough of its own.
Sing, and the hills will answer;
Sigh, it is lost on the air.
The echoes bound to a joyful sound,
But shrink from voicing care.

Rejoice, and men will seek you;
Grieve, and they turn and go.
They want full measure of all your pleasure,
But they do not need your woe.
Be glad, and your friends are many;
Be sad, and you lose them all.
There are none to decline your nectared wine,
But alone you must drink life's gall.

Feast, and your halls are crowded;
Fast, and the world goes by.
Succeed and give, and it helps you live,
But no man can help you die.
There is room in the halls of pleasure
For a long and lordly train,
But one by one we must all file on
Through the narrow aisles of pain.
(Ella Wheeler Wilcox)
LINDO o gesto, de uma LADY pelo seu adorado marido
(foi esta dedicatória que encontrei,
numa pequena praceta junto ao Botanic Gardens, em Belfast)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

FRANCISCO RODRIGUES LOBO (Leiria, 1580 — Lisboa, 1622)




Fermoso rio Lis, que entre arvoredos
Ides detendo as águas vagarosas,
Até que üas sobre outras, de invejosas,
Ficam cobrindo o vão destes penedos;

Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos
Sois morada das Ninfas mais fermosas,
Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas,
Em quem esconde Amor tantos segredos;

Se vós, livres de humano sentimento,
Em quem não cabe escolha nem vontade,
Também às leis de Amor guardais respeito.

Como se há-de livrar meu pensamento
De render alma, vida e liberdade,
Se conhece a razão de estar sujeito?


Primavera, Vales e Montes..., Floresta Undécima