Nunca tinha desfolhado folhas de papel de arroz
nem sabia que de tão finas nunca se colavam .
Olhou-as, folhas plenas de figuras, chamavam-lhe letras,
e essas, ela não conhecia .
Em lombadas vivas e largas
em papel pardo, adormecia de olhos abertos
ouvia sons e notas de ouvido, fugidas de cor
Agri-doce
Começou a desfolhar folhas de papel de arroz, descoladas
o odor era adocicado, e inalava-o com uma força extrema
Lânguida se deixou levar para mundos de bambu
arrozais que não secavam
Sapatos de panos em pés de gueixas
Agri-doce
Tentava fixar os sentidos, o tacto era suave nas folhas
rude na capa .
Entre folhas de papel de arroz e capas de cartão…
misturava sentidos .
Agri-doce.
Docemente desfolhou folhas de papel de arroz,
misturou tudo em arrozais húmidos.
Apurou o ouvido e ouviu sem som, folhas que se desfolhavam
leves por não pesarem
brancas
Imaculadas
Compressas em duras capas de cartão prensado
Pés atados de gueixa
repisavam folhas de papel de arroz
Agri- doce
(Teresa Maria Queiroz)
(2 fotos de campos de arroz perto de Chiang Mai - Tailândia)