sábado, 16 de junho de 2012

SORRISO TURVO





Vivo das lágrimas e da poeira da estrada, 
que se entranha nos olhos
e me tolhe das águas do rio onde nasci;
sorriso turvo nas algas de dias escorregadios
e flores de sol onde nascem ameias estranhas;
corro atrás das nuvens e percorro ruas desertas.
Se soubesse dos dias, estarias mais perto.
(Susana Duarte)


sexta-feira, 8 de junho de 2012

DIA MUNDIAL DOS OCEANOS



OCEANO NOX


Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

Antero de Quental, in "Sonetos"





O oceano Atlântico apresenta uma forma semelhante à letra S.
Sendo uma divisão das águas marítimas terrestres, o Atlântico é ligado ao oceano Ártico (que em algumas vezes é referido como sendo apenas um mar do Atlântico), a Norte,
ao oceano Pacífico, a Sudoeste,
ao oceano Índico, a Sudeste,
e ao oceano Antártico, a Sul.
(Alternativamente, ao invés do oceano Atlântico ligar-se com o oceano Antártico, pode-se estabelecer a Antártida como limite sul do oceano, sob outro ponto de vista).
A linha do Equador divide o oceano em Atlântico Norte e Atlântico Sul. Com um terço das águas oceânicas mundiais, o Atlântico inclui mares como o Mediterrâneo,
e o mar das Caraíbas (Caribe).

No DIA MUNDIAL DOS OCEANOS
apresento duas fotos do oceano Atlântico, na ponta de Sagres;
bem como uma poesia de Antero de Quental, a acompanhar.

sábado, 2 de junho de 2012

PERMANÊNCIA DA POESIA




PERMANÊNCIA DA POESIA


Quando a luz desaparecer de todo,
mergulharei em mim mesmo
e te procurarei lá dentro.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.

Elas subsistem, apesar de tudo.
É inútil assassinar crianças.
É inútil atirar aos cães os que,
de repente,
se rebelam e erguem a cabeça olímpica.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.

Podem exilar a poesia:
exilada, ainda será mais límpida.
As horas passam,
os homens caem,
a poesia fica.

Aproxima-te e escuta.
Há uma voz na noite!

Olha:
É uma luz na noite!

(Emílio Moura)

terça-feira, 29 de maio de 2012

PERMANÊNCIA



PERMANÊNCIA


       Não peçam aos poetas um caminho.

O poeta

         não sabe nada de geografia celestial.
        
Anda aos encontrões da realidade

         sem acertar o tempo com o espaço.
        
Os relógios e as fronteiras não tem

         tradução na sua língua.

Falta-lhe

         o amor da convenção em que nas outras

         as palavras fingem de certezas.

         O poeta lê apenas os sinais

         da terra.

Seus passos cobrem
         apenas distâncias de amor e
         de presença. Sabe
         apenas inúteis palavras de consolo
         e mágoa pelo inútil. Conhece
         apenas do tempo o já perdido; do amor
         a câmara escura sem revelações; do espaço
         o silêncio de um vôo pairando
         em toda a parte.
         Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
         — morto redivivo.


         Tudo é simples para quem
         adia sempre o momento
         de olhar de frente a ameaça
         de quanto não tem resposta.
         Tudo é nada para quem
         descreu de si e do mundo
         e de olhos cegos vai dizendo:
         Não há o que não entendo.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

AURORA - ADOLFO CASAIS MONTEIRO



AURORA

         A poesia não é voz - é uma inflexão.
         Dizer, diz tudo a prosa. No verso
         nada se acrescenta a nada, somente
         um jeito impalpável dá figura
         ao sonho de cada um, expectativa
         das formas por achar. No verso nasce
         à palavra uma verdade que não acha
         entre os escombros da prosa o seu caminho.
         E aos homens um sentido que não há
         nos gestos nem nas coisas:

         vôo sem pássaro dentro.


         (Vôo sem Pássaro dentro, 1954)

sábado, 19 de maio de 2012

EU QUERIA ESTAR NO PORTO...NESTE ENCONTRO



O MEU PENSAMENTO hoje vai para

Viajantes portugueses trocam viagens em encontro no Porto

AH...como eu queria estar lá...!

A Casa do Infante é, pelo menos durante este sábado, o cais destes apaixonados pelas viagens. O Porto recebe, pela primeira vez, uma reunião nacional dos Portugueses Emviagem, a 3.ª deste grupo nascido (e em contínuo crescimento) no Facebook,
graças a João Oliveira - um veterinário e professor de 37 anos com paixão pela arte de viajar.

No Facebook, já somos um grupo de cerca de mil viajantes "à séria".

E já vamos no terceiro encontro nacional: desta feita, o primeiro no Porto.

Os Portugueses Emviagem reúnem-se este sábado na Casa do Infante e, entre palestras, podem ouvir-se, de viva voz, como um pai e filho deram a volta a África numa 4L ou relatos de viagens pela Índia, Nepal ou a bordo do Transmongol


quinta-feira, 10 de maio de 2012

SACODE AS NUVENS




Sacode as nuvens

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)