sexta-feira, 8 de junho de 2012

DIA MUNDIAL DOS OCEANOS



OCEANO NOX


Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

Antero de Quental, in "Sonetos"





O oceano Atlântico apresenta uma forma semelhante à letra S.
Sendo uma divisão das águas marítimas terrestres, o Atlântico é ligado ao oceano Ártico (que em algumas vezes é referido como sendo apenas um mar do Atlântico), a Norte,
ao oceano Pacífico, a Sudoeste,
ao oceano Índico, a Sudeste,
e ao oceano Antártico, a Sul.
(Alternativamente, ao invés do oceano Atlântico ligar-se com o oceano Antártico, pode-se estabelecer a Antártida como limite sul do oceano, sob outro ponto de vista).
A linha do Equador divide o oceano em Atlântico Norte e Atlântico Sul. Com um terço das águas oceânicas mundiais, o Atlântico inclui mares como o Mediterrâneo,
e o mar das Caraíbas (Caribe).

No DIA MUNDIAL DOS OCEANOS
apresento duas fotos do oceano Atlântico, na ponta de Sagres;
bem como uma poesia de Antero de Quental, a acompanhar.

sábado, 2 de junho de 2012

PERMANÊNCIA DA POESIA




PERMANÊNCIA DA POESIA


Quando a luz desaparecer de todo,
mergulharei em mim mesmo
e te procurarei lá dentro.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.

Elas subsistem, apesar de tudo.
É inútil assassinar crianças.
É inútil atirar aos cães os que,
de repente,
se rebelam e erguem a cabeça olímpica.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.

Podem exilar a poesia:
exilada, ainda será mais límpida.
As horas passam,
os homens caem,
a poesia fica.

Aproxima-te e escuta.
Há uma voz na noite!

Olha:
É uma luz na noite!

(Emílio Moura)

terça-feira, 29 de maio de 2012

PERMANÊNCIA



PERMANÊNCIA


       Não peçam aos poetas um caminho.

O poeta

         não sabe nada de geografia celestial.
        
Anda aos encontrões da realidade

         sem acertar o tempo com o espaço.
        
Os relógios e as fronteiras não tem

         tradução na sua língua.

Falta-lhe

         o amor da convenção em que nas outras

         as palavras fingem de certezas.

         O poeta lê apenas os sinais

         da terra.

Seus passos cobrem
         apenas distâncias de amor e
         de presença. Sabe
         apenas inúteis palavras de consolo
         e mágoa pelo inútil. Conhece
         apenas do tempo o já perdido; do amor
         a câmara escura sem revelações; do espaço
         o silêncio de um vôo pairando
         em toda a parte.
         Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
         — morto redivivo.


         Tudo é simples para quem
         adia sempre o momento
         de olhar de frente a ameaça
         de quanto não tem resposta.
         Tudo é nada para quem
         descreu de si e do mundo
         e de olhos cegos vai dizendo:
         Não há o que não entendo.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

AURORA - ADOLFO CASAIS MONTEIRO



AURORA

         A poesia não é voz - é uma inflexão.
         Dizer, diz tudo a prosa. No verso
         nada se acrescenta a nada, somente
         um jeito impalpável dá figura
         ao sonho de cada um, expectativa
         das formas por achar. No verso nasce
         à palavra uma verdade que não acha
         entre os escombros da prosa o seu caminho.
         E aos homens um sentido que não há
         nos gestos nem nas coisas:

         vôo sem pássaro dentro.


         (Vôo sem Pássaro dentro, 1954)

sábado, 19 de maio de 2012

EU QUERIA ESTAR NO PORTO...NESTE ENCONTRO



O MEU PENSAMENTO hoje vai para

Viajantes portugueses trocam viagens em encontro no Porto

AH...como eu queria estar lá...!

A Casa do Infante é, pelo menos durante este sábado, o cais destes apaixonados pelas viagens. O Porto recebe, pela primeira vez, uma reunião nacional dos Portugueses Emviagem, a 3.ª deste grupo nascido (e em contínuo crescimento) no Facebook,
graças a João Oliveira - um veterinário e professor de 37 anos com paixão pela arte de viajar.

No Facebook, já somos um grupo de cerca de mil viajantes "à séria".

E já vamos no terceiro encontro nacional: desta feita, o primeiro no Porto.

Os Portugueses Emviagem reúnem-se este sábado na Casa do Infante e, entre palestras, podem ouvir-se, de viva voz, como um pai e filho deram a volta a África numa 4L ou relatos de viagens pela Índia, Nepal ou a bordo do Transmongol


quinta-feira, 10 de maio de 2012

SACODE AS NUVENS




Sacode as nuvens

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

MIA COUTO - PRÉMIO EDUARDO LOURENÇO 2011



O escritor
moçambicano Mia Couto
manifestou-se honrado e comovido
com a receção do Prémio Eduardo Lourenço 2011,
no valor de 10 mil euros, atribuído pelo Centro
de Estudos Ibéricos (CEI), com sede na Guarda.

«É uma grande honra para mim.
Eu olho isto como qualquer coisa que é um desafio
para continuar, para fazer mais»,
declarou Mia Couto à agência Lusa
no final da sessão solene de entrega da sétima
edição do galardão,
realizada na presença do patrono.

O galardoado também disse estar
«muito comovido» com a distinção por reconhecer
Eduardo Lourenço como «mestre do pensamento»
e por não esperar ser distinguido.

«Em princípio, não era esperado que um autor
que é africano, que não é português nem espanhol,
produziu uma obra toda virada para uma outra
preocupação, que não era esta do iberismo,
fosse premiado», justificou.

O prémio anual, instituído em 2004,
que tem o nome do ensaísta Eduardo Lourenço,
mentor e presidente honorífico do CEI,
destina-se a galardoar personalidades
ou instituições, portuguesas ou espanholas,
«com intervenção relevante no âmbito da
cooperação e da cultura ibérica».

Desta vez, segundo o presidente do júri,
João Gabriel Silva,
reitor da Universidade de Coimbra,
foi atribuído a Mia Couto que
«alargou os horizontes da língua portuguesa
e da cultura ibérica».

O escritor e biólogo Mia Couto
(António Emílio Leite Couto,
de seu nome completo)
nasceu na Beira, em 05 de julho de 1955.