quinta-feira, 5 de abril de 2012

NA QUIETUDE DO MEU SER...




Um pássaro desliza no céu
Um não…dezenas
Centenas deles
rasgam o silêncio da barragem
Maranhão
Nunca lá tinha ido
Mais uma descoberta
Neste cantinho
À beira-mar instalado
dilatam-se as pupilas da alma
e o tempo urge
o grito
a dor
o amor
num campo de flores










A vida corre
E na quietude do meu ser
Renasce a paz
O tempo para mim
É o espaço entre a ternura
E o deslizar de um pássaro no céu.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O CAÇADOR DE RAÍZES - PABLO NERUDA



“Eu pertenço à fecundidade

e crescerei enquanto crescem as vidas:

sou jovem com a juventude da água,

sou lento com a lentidão do tempo,

sou puro com a pureza do ar,

escuro com o vinho da noite

e só estarei imóvel quando seja

tão mineral que não veja nem escute,

nem participe do que nasce e cresce.


Quando escolhi a selva

para aprender a ser,

folha por folha,

estendi as minhas lições

e aprendi a ser raiz, barro profundo,

terra calada, noite cristalina,

e pouco a pouco mais, toda a selva.”


(NERUDA, Pablo.

O Caçador de raízes.

Antologia Poética,

José Olympio, 1994, p. 232.)

terça-feira, 20 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA FLORESTA - DIA DA ÁRVORE


Poema da Árvore

"As árvores crescem sós.

E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores."
(António Gedeão)



(fotos minhas)

terça-feira, 13 de março de 2012

DESTINO



"Nenhum trompete toca

quando são tomadas

as decisões importantes de nossa vida.

O destino é anunciado silenciosamente."

(Agnes De Mille)

domingo, 4 de março de 2012

CADA PORTA, UMA ESCOLHA




Cada porta, uma escolha.

Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo.

Outras, para um jardim de promessas.

Alguma, para a noite além da cerca.

Hora de tirar os disfarces,

aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

PAIXÃO por NATUREZA e ANIMAIS

"Nada acontece por acaso.

Não existe a sorte.

Há um significado por detrás

de cada pequeno ato.

Talvez não possa ser visto

com clareza imediatamente,

mas sê-lo-á antes que

se passe muito tempo."
Richard Bach



As pessoas entram em nossa vida por acaso,

mas não é por acaso que elas permanecem.
Lilian Tonet


esta semana fui confrontada com 3 situações muito desagradáveis, com pessoas das minhas relações, para elas e para todos

mostro:

"Momentos de extrema ternura" entre animais,

é a minha resposta à malvadez que existe nos corações de gente má!



Numa semana pródiga em malvadez…

poderei dizer, como diz o ditado:

Não há uma sem duas, nem duas sem três...
Só sei que há pessoas piores que os ditos animais irracionais…
pessoas que devem abster-se de opinar sobre aquilo que não sabem

e pessoas más, muito más!

Daí que os estudos concluam que a mente humana é igual a mistério insondável em pessoas que revelam enorme falta de carácter...



Evoco o pensamento de Simone Maure

"Eu não sou uma pessoa fria,

isso é só uma reação natural à frieza desse mundo."

MUNDO que cada vez mais me apaixona


através da NATUREZA e do AFECTO entre ANIMAIS.


Por isso, passarei muito mais momentos em contacto com a


NATUREZA e os ANIMAIS


do que com seres que se dizem HUMANOS.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

SONHO INTERMINÁVEL DAS SEREIAS



CANÇÃO NA PLENITUDE


Não tenho mais os olhos de menina

nem corpo adolescente, e a pele

translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde havia sedas,

sou uma estrutura

agrandada pelos anos e o peso dos fardos

bons ou ruins.

(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)


O que te posso dar é mais que tudo

o que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rir

quando em outros tempos choraria,

busca te agradar

quando antigamente quereria

apenas ser amada.


Posso dar-te muito mais do que beleza

e juventude agora: esses dourados anos

me ensinaram a amar melhor, com mais paciência

e não menos ardor, a entender-te

se precisas, a aguardar-te quando vais,

a dar-te regaço de amante e colo de amiga,

e sobretudo força — que vem do aprendizado.


Isso posso te dar: um mar antigo e confiável

cujas marés — mesmo se fogem — retornam,

cujas correntes ocultas não levam destroços

mas o sonho interminável das sereias.


O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada",

Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.